Quebrar o mapa para curar a distância

A série de colagens “Mapas Internos” foi inaugurada no consulado argentino na cidade de Nova York, em 22 de janeiro de 2026. Esse trabalho me deu a oportunidade de explorar, por meio da arte, o processo de cura e integração da divisão que a migração produz em mim.

As colagens desta exposição foram criadas a partir dos escudos provinciais argentinos. A técnica — que envolve quebrar, rasgar, sobrepor, unir, colar, entre outras coisas — reflete fielmente esse processo de ruptura e reconfiguração identitária permanente. Cada peça me permitiu dissolver-me e, a partir desse lugar, criar novas formas de existência sem perder de vista os elementos essenciais da origem.

A experiência migratória implica uma morte e um renascimento.

Talvez seja exatamente por isso que não consigo prescindir da arte, justamente como uma ferramenta que me ajuda a navegar pelo que não se resolve. A migração não é apenas uma viagem para outras fronteiras, mas para uma geografia interna repleta de emoções. Essa geografia se transforma em uma espécie de mapa interno, um mapa repleto de distâncias e diferenças entre suas latitudes.

Nesse sentido, houve algo quase mágico em produzir uma exposição em território argentino, embora dentro dos Estados Unidos. Um impossível tornado realidade, uma síntese, uma espécie de desejo trazido para a terra.

Graças ao meu trabalho, continuo reconstruindo e tentando integrar meu sul e meu norte.

Mapas Internos, de Marcela Hoffer, está em exibição no Consulado argentino em Nova York durante o mês de março de 2026. A AJLA comemora ter facilitado informações e contatos que ajudaram a concretizar a exposição.

  • Marcela Hoffer es artista visual y psicóloga. Nació en Buenos Aires, Argentina, de una familia de inmigrantes polacos, y vive desde los 24 años en Nueva York, donde cursó maestrías en Danza y Movimiento (Hunter College) y Trabajo Social (Columbia). Exhibió obras en el Museo Judío de Buenos Aires, Museo de la Legislatura de Buenos Aires, Villa Victoria, y distintas galerías y centros de arte de Buenos Aires y Nueva York. Publicó el libro "Panska 28", titulado en honor a la dirección del hogar de su abuela en Varsovia. Integra el colectivo AJAT Arte junto a Martina Charaf.

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